Credores ouvidos pela reportagem afirmaram que o plano originalmente apresentado pela companhia oferecia condições muito díspares
Ficou para a segunda chamada a assembleia da distribuidora de insumos Agrogalaxy para discutir o novo Plano de Recuperação Judicial(PRJ). A primeira chamada, marcada para esta segunda-feira (31/3), não obteve o quórum necessário: metade dos credores de cada categoria. A próxima convocação será no dia 9 de abril, às 13h30, em formato híbrido, com qualquer número de presentes. A parte presencial será no Auditório da Associação dos Magistrados do Estado de Goiás, em Goiânia.
A assembleia deve votar o novo plano da empresa, que lista uma série de medidas para recuperação, dentre elas está resolver o endividamento, calculado em R$ 4,6 bilhões.
A primeira versão do PRJ havia sido protocolada em 2 de dezembro do ano passado, mas levantou debate entre os credores, que não concordaram com as condições de pagamento propostas pelo Agrogalaxy. Com isso, a companhia fez alguns reajustes e protocolou no último dia 21 de março uma nova versão do plano na justiça de Goiás.
Bancos, fornecedores de insumos, empresas de transporte, companhias de energia e distribuidores estão entre os 80 credores listados na proposta de recuperação. Alguns deles, ouvidos pela reportagem, afirmaram que o plano original oferecia condições muito díspares entre aqueles credores considerados “parceiros” e os demais.
Agora, a segunda versão do plano deve ser debatida e posta em votação na assembleia no dia 9 de abril. É só depois da aprovação que a distribuidora de insumos poderá executar o plano de recuperação judicial.
Publicação na CVM
Apesar de a primeira convocação não ter tido quórum, o Agrogalaxy publicou o novo PRJ – com toda a juntada de petições e alterações em algumas medidas para reestruturar a empresa – na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), após o fechamento de mercado desta segunda-feira.
Entre as medidas para recuperação, estão a reestruturação global de seu passivo, por meio de estruturas de readequação de endividamento consubstanciadas em renegociações.
O Agrogalaxy voltou a reafirmar no documento, com mais de 1300 páginas, que os empregos diretos e indiretos serão mantidos, e os direitos de seus credores também, “sempre com o objetivo de permitir o soerguimento e a superação de sua atual crise econômico-financeira, bem como levando-se em consideração a sua estrutura de capital após a reestruturação”.
A empresa ressalta a necessidade de poder captar novos recursos com a recuperação judicial em andamento. Em janeiro, anunciou ter uma carteira de R$ 700 milhões em créditos de clientes inadimplentes, valor que esperava captar por meio de um FDIC. O andamento do fundo segue lento.
Para acelerar o pagamento das dívidas, o Agrogalaxy – e suas controladas – propõem a realização de um “leilão reverso”. Em troca de serem pagos antes que outros, credores poderiam aceitar uma redução dos valores a receber., conforme os recursos disponíveis, ou caso consigam um investidor interessado em comprar essas dívidas.
As regras para participação dos credores no leilão, incluindo prazos, formas de apresentação das propostas, condições de pagamento e o desconto mínimo, serão detalhadas em um edital que será aprovado pelo juiz da recuperação e pela administração judicial, caso o novo plano seja aprovado na segunda convocação da assembleia.
Reorganização societária, operação de carteira de recebíveis e oneração de ativos são algumas das atividades que compõe o plano de recuperação, ademais de opções para pagamento dos credores, com diferentes possibilidades – e que, de certa forma, já estavam na primeira versão protocolada em 2 de dezembro do ano passado.
O primeiro documento previa, entre outras ações, o pagamento integral de verbas trabalhistas em até 12 meses, limitado a 150 salários mínimos, agora há opções A, B, C e D para esses pagamentos.
Entre as propostas da empresa estavam a substituição dos papéis do CRA por debêntures; a conversão de dívidas de credores do setor de grãos em debêntures ou ações da companhia, além de aporte de capital da Agrogalaxy pelo principal acionista, o fundo Aqua Capital.
O Agrogalaxy chegou a destacar diversas vezes que o objetivo do plano era “equacionar” o passivo acumulado pela empresa nos últimos três anos para poder captar recursos e recuperar a confiança do mercado.
Fonte: Globo Rural