Empresa tenta renegociar judicialmente o pagamento de R$ 1,3 bilhão em dívidas
O Grupo Formoso, dono da sementeira Uniggel e de outros negócios na agropecuária, tenta renegociar judicialmente o pagamento de R$ 1,3 bilhão em dívidas. A empresa aguarda resposta ao pedido de recuperação judicial que fez no dia 18 de dezembro de 2025, antes do início do recesso no Poder Judiciário.
Na fase atual, o processo corre em segredo de justiça. Alan Mincache, do escritório Federiche Mincahe e representante do grupo no processo, explica que se trata de uma medida de cautela, com a intenção de manter resguardados “os ativos, colaboradores e toda a operação do Grupo Formoso” até análise do pedido pela Justiça.
“O processo aguarda a análise da petição inicial e dos documentos que a instruem. Com o despacho inicial, o juiz deve analisar o preenchimento dos requisitos obrigatórios para o deferimento do pedido de recuperação judicial”, explica o advogado, em resposta à reportagem, via mensagens.
O pedido de recuperação judicial do Grupo Formoso está em tramitação na Vara de Precatórios Cíveis e Criminais, Falência e Recuperações Judiciais de Palmas, capital de Tocantins. O juiz a quem caberá a decisão é Luiz Astolfo de Deus Amorim.
Inclui a Formoso Agropecuária, Formoso Participações, Sollus Mapito CLI Participações e a Uniggel, nas pessoas jurídicas. Inclui também integrantes da família Garcia, fundadora e dona do grupo, nos seus negócios como pessoa física. Além da Uniggel, as operações do grupo incluem produção agropecuária e atividades industriais, como processamento de grãos.
“A recuperação judicial abrange todas as operações realizadas pelo Grupo Formoso, inclusive as de produção rural que têm como signatários os produtores rurais pessoas físicas que também figuram como sócios das empresas”, explica o advogado Alan Mincache.
Enquanto o processo segue sob segredo de Justiça, a empresa não informa quem são seus principais credores. No entanto, em novembro, ainda antes de o Grupo Formoso pedir recuperação judicial, a Uniggel, uma de suas empresas, enviou uma carta a fornecedores relatando dificuldades em renovar linhas de crédito, com efeito negativo sobre o cumprimento de compromissos.
No documento, Luiz Fernando Sampaio, gerente de compras da sementeira, pediu a postergação para fevereiro de 2026 dos prazos de vencimento de algumas contas, enquanto a companhia estrutura operações e fecha acordos financeiros para levantar recursos. “A previsão é de que a normalização completa ocorra nos próximos meses”, dizia a carta aos credores.
A Uniggel informou, na época, ter pago, R$ 120 milhões em financiamentos bancários ao longo de 2025, com o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco da Amazônia que deveriam ser recompostos em novas linhas de crédito, mas não se confirmaram diante do cenário mais restritivo.
A empresa também é impactada por cerca de R$ 20 milhões nas mãos de clientes em recuperação judicial. A sementeira também tem R$ 10 milhões em recebíveis que precisa renegociar da safra anterior. “Essa conjuntura impactou significativamente nosso fluxo de caixa”, destacou.
Fonte: Globo Rural