Tradicional do têxtil, Teka terá dia decisivo após 13 anos em recuperação judicial

  • Relatório de auditoria será entregue nesta quarta (17) com os números que mostrarão se empresa tem viabilidade
  • Companhia, que completará 100 anos em maio, chegou a ter falência decretada; novo plano de recuperação deve ser apresentado após decisão da Justiça

O fundo de investimentos Alumni, controlador da Teka, tradicional empresa catarinense de artigos de cama, mesa e banha, espera que a companhia entre ainda neste ano em um novo período de reestruturação.

O resultado da auditoria que escrutinou os números da empresa desde março, por determinação da Justiça, será entregue nesta quarta (17) à Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais e Extrajudiciais em Jaraguá do Sul (SC).

Um relatório com números revisados da fabricante têxtil, que está há 13 anos em recuperação judicial, mostrará se a companhia tem viabilidade financeira para a continuidade de seus negócios. A empresa completará 100 anos de existência em maio do próximo ano.

Angelo Guerra Netto, sócio-fundador do Alumni, que detém 24% do capital social da Teka, se diz confiante de que os números mostrarão que a empresa tem condições de continuar as operações, e até mesmo de sair da recuperação judicial já no próximo ano.

Se a Justiça de Santa Catarina decidir pela continuidade do negócio, um novo plano de recuperação judicial será apresentado pelos acionistas aos credores em breve.

“Queremos encerrar este capítulo triste da empresa para entrar em 2026 competindo de igual para igual com nossos pares no mercado”, disse Guerra Netto à coluna.

O trabalho de auditoria conduzido pela Grant Thornton foi realizado como condição para uma decisão definitiva sobre a situação financeira da Teka. A companhia chegou a ter a recuperação judicial transformada em falência no início deste ano, após o administrador judicial da companhia dizer à Justiça que o processo de reestruturação não conseguiu reverter a crise financeira da companhia.

Na época, as dívidas da empresa somavam cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões em débitos tributários, e R$ 205 milhões referentes à falta de pagamento a funcionários.

O fundo Alumni, porém, brigou na Justiça pela continuidade da empresa. Na época, o controlador defendeu que não fazia sentido decretar falência justamente no momento em que a fabricante se reorganizava com uma redução em sua dívida tributária por adesão ao programa da Procuradoria-Geral de renegociação de débitos do ICMS inscritos em Dívida Ativa.

A Justiça acatou parcialmente os argumentos e suspendeu a falência. Agora, o relatório da auditoria vai apoiar uma decisão final.

ACORDO

Parte da confiança de Guerra Netto com a viabilidade do negócio tem relação com um acordo extrajudicial selado em setembro entre as empresas da família Kuehnrich, fundadora da Teka, e o Alumni para levantar recursos financeiros e viabilizar o pagamento das dívidas contraídas pela companhia têxtil.

O acordo passa pela venda de imóveis da companhia espalhados pelo Brasil que não estão operacionais —seja porque a empresa desativou seu parque fabril nesses locais ou por serem terrenos adquiridos por acordos ao longo da existência da empresa. Esses imóveis somam R$ 120 milhões, segundo Guerra Netto.

Esse dinheiro se somará aos depósitos judiciais feitos pela Teka ao longo do seu processo de recuperação judicial, que serão usados para pagar integralmente todos os trabalhadores que reclamaram de falta de pagamentos. O excedente será usado para pagar o saldo do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) da empresa, que soma cerca de R$ 90 milhões.

Com relação à dívida tributária federal, Guerra Netto diz que a Teka conseguiu uma regularização fiscal, reduzindo esse débito de R$ 2,3 bilhões para R$ 226 milhões.

NOVIDADES

Com 2.000 funcionários, a Teka tem hoje dois parques fabris, um em Blumenau (SC) e outro em Artur Nogueira (SP), que passarão em breve por um processo de modernização.

A empresa também vai inaugurar uma loja nesta quarta-feira no Outlet Premium, em Itupeva (SP), e lançará em janeiro seu primeiro e-commerce, para venda direta ao consumidor final.

No início, o site venderá apenas produtos da Teka, mas a ideia é que ele expanda e vire um marketplace, com a comercialização de outras marcas de cama, mesa e banho.

Fonte: Folha de São Paulo

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